INTRODUÇÃO
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O presente blog surge enquadrado num contexto generalizado de dificuldade em conhecer o âmbito da intervenção do arquitecto.
O presente blog surge enquadrado num contexto generalizado de dificuldade em conhecer o âmbito da intervenção do arquitecto.
No meu atelier sinto, com frequência, que os clientes quando fazem a primeira abordagem ao arquitecto enfrentam uma dificuldade enorme. Há várias razões para que tal suceda, mas há uma que destaco: domina, ainda, no imaginário das pessoas a ideia de que o arquitecto é uma pessoa inflexível e intransigente... relfexo das décadas de 60 e 70, onde a palavra do arquitecto era lei. Hoje, devido a inúmeros factores, tal já não succede da mesma forma.
Encara-se agora, pelo menos no meu atelier, o cliente como elemento fundamental e participativo no processo criativo do projecto.
Encara-se agora, pelo menos no meu atelier, o cliente como elemento fundamental e participativo no processo criativo do projecto.
Deste modo, este blog procura desdramatizar o mítico relacionamento cliente-arquitecto e, também, proporcionar-se como mais uma ferramenta na preparação da primeira reunião com o arquitecto.
Para se dar início a qualquer projecto é fundamental haver plena certeza e segurança na iniciativa que se quer desencadear.
Por vezes, os clientes, ainda um pouco indecisos, decidem avançar para a escolha do arquitecto sem previamente reunirem condições necessárias para que se possa, de modo sustentado, dar início ao projecto. Quase sempre estas situações precipitadas transformam-se em processos desinteressantes, penosos, morosos e, ás vezes, inconsequentes.
Por isso, julgando estar a contribuir para facilitar o início da referida relação cliente-arquitecto, enumeram-se, de seguida, 10 passos a percorrer antes de se contratar um arquitecto.
10 PASSOS ANTES DE CONTRATAR UM ARQUITECTO
1.º PASSO
O primeiro passo consiste em assegurar-se de que estão reunidas todas as condições para avançar com um projecto. Para além da necessária capacidade financeira é necessário possuir autorização legal para levar a cabo tal iniciativa. Por exemplo, no caso de um arrendatário, é necessário o acordo do proprietário, noutras situações é também necessário o acordo do condomínio...
2.º PASSO
O segundo passo é decisivo para o bom andamento de todo o processo: Saber o que se quer e o que não se quer.
Esta é a primeira aproximação à definição programática da iniciativa a desenvolver.
Qual é a área que se pretende para a moradia? Ela terá 3 ou 4 quartos? Terá 1 ou 2 pisos? Será moderna ou tradicional? Que sistema construtivo se deve adoptar?...
Esta é a altura ideal para conceber a caracterização prévia da iniciativa.
No entanto, é normal que durante o desenvolvimento do processo, ou por se considerarem novas opções ou porque o cliente entretanto reconsiderou a sua opinião, se proceda à alteração da caracterização prévia inicial.Não é, por isso, uma caracterização definitiva.
3.º PASSO
Nesta altura começam a surgir nomes de arquitectos para levar a cabo a iniciativa.
Não vale a pena perder muito tempo a decidir com quem se quer trabalhar sem antes definir o perfil desejado para o arquitecto. Com isto quero dizer que é muito importante definir se se quer trabalhar com um profissional mais ou menos transigente, mais ou menos disponível, mais ou menos acessível, mais ou menos jovem, mais ou menos experiente, mais ou menos experimentalista...
4.º PASSO
Depois de concretizado o perfil do arquitecto dever-se-á pesquisar alguns nomes de arquitectos que se enquadrem no perfil traçado (através de amigos, internet...). Esta pesquisa visa sobretudo recolher alguma informação curricular sobre cada um deles e saber onde têm o atelier (aspecto importante para a realização das reuniões, muitas vezes à hora do almoço, ou ao sábado - para conciliar horários).
5.º PASSO
Este passo não sendo o mais importante acaba por ser o mais decisivo. Pois é com aquele que escolher que vai iniciar uma parceria (arquitecto-cliente) de vários meses. É importante escolher alguém que tenha domínio sobre a área de actuação, mas que também se disponibilize. Muitas vezes há a tentação de procurar alguém que faça o prtojecto em part-time, uma vez que acabará por ser mais barato.
Mas é necessário ter em atenção que essa dedicação em part-time não é só para a realizaçãodo projecto é para todo processo... quando for necessário ir a uma reunião na Câmara, ir à obra tirar dúvidas ou até reunir com o cliente... também será fora de horas?!
Mas é necessário ter em atenção que essa dedicação em part-time não é só para a realizaçãodo projecto é para todo processo... quando for necessário ir a uma reunião na Câmara, ir à obra tirar dúvidas ou até reunir com o cliente... também será fora de horas?!
6.º PASSO
Estabelecer o contacto com o arquitecto que escolhido. Há 2 formas de o fazer: ou por telefone ou por email.
Importante, no primeiro contacto telefónico que estabelecer não lhe peça os Honorários, agende apenas uma reunião com o intuito de obter uma Proposta de Honorários para a realização de um projecto.
Observação: Certifique-se, previamente, se tal reunião e a pretendida Proposta de Honorários têm custos. Há ateliers que cobram esse tipo de serviços.
Observação: Certifique-se, previamente, se tal reunião e a pretendida Proposta de Honorários têm custos. Há ateliers que cobram esse tipo de serviços.
7.º PASSO
Para a reunião, atempadamente agendada, não se iniba de fazer uma lista de perguntas ou dúvidas que queira ver esclarecidas. Mas comece por apresentar globalmente a sua iniciativa e peça uma opinião ao arquitecto sobre a mesma, ou simplesmente sobre a viabilidade da mesma.
Informe-se sobre a metodologia de trabalho praticada nesse atelier, sobre a dedicação que esse atelier prevê dar ao seu projecto, sobre a intervenção que poderá vir a ter no projecto e no processo criativo. Certifique-se de que lhe serão proporcionadas reuniões para conhecer o andamento do projecto e que nas mesmas lhe será dada oportunidade de "criticar" o projecto.
8.º PASSO
Se, no decurso da reunião com o atelier escolhido, sentir total confiança na escolha que fez, peça, então, uma Proposta de Condições de Trabalho para a elaboração do projecto.
9.º PASSO
Este passo consiste em analisar a Proposta de Condições de Trabalho apresentada pelo arquitecto, onde terão especial relevo os honorários, como também os conteúdos a apresentar em cada fase e a calendarização proposta para a realização das várias fases do trabalho.
10.º PASSO
Eis-nos chegados ao último passo, o que antecede o projecto. Nesta altura, caso a Proposta apresentada esteja de acordo com o combinado em reunião e cumpra as expectativas iniciais, a Proposta de Condições de Trabalho será aceite e assinada, ficando formalizado o contrato para a realização do projecto.
A próxima fase já é mais estimulante para todos: é a da concepção do projecto.
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